quarta-feira, 24 de agosto de 2016

TAQUARAS FRUTIFICANDO: FESTA PARA AVES!

As taquaras são plantas da família das gramíneas, como o trigo, milho e arroz. As taquaras do Brasil são nativas e compõem uma legião de mais de 150 espécies apenas na Mata Atlântica. E, como os cereais citados, são produtoras de sementes que na na época da "colheita" produzem uma fartura de alimento que é conhecida por muitas pessoas do interior.  Essa "colheita" natural é chamada de "arroz de taquara" em algumas regiões do Brasil. Esse arroz natural é um alimento abundante nessa época e atrai para o banquete uma corte numerosa de comensais. Não apenas as aves, mas também mamíferos como os roedores, notadamente os ratos do mato conhecidos como "ratos da taquara". Nessas ocasiões, devido à abundância do alimento, tanto esses roedores como algumas aves, produzem proles numerosas.
Essas  taquaras, geralmente do gênero Merostachys são encontradas no Espirito Santo principalmente nas florestas de montanhas, mas também podem ocorrer nas matas da baixada.

fonte: http://onca-kuahary.blogspot.com.br/2006/09/bambus-do-pni.html


Imagem de um rato da taquara.


Moita de taquaras do gênero Merostachys.


Colmo de uma taquara de onde brotam as infrutescências.



Moitas de taquaras no interior da mata.

Taquaras com sementes.


Distribuição do Taquarussu, conf. o site "Um pé de quê?"

O  Pixoxó, Sporophila frontalis, considerado como ameaçado devido à captura para engaiolamento ou devido à destruição do habitat. Ave de canto forte e melodioso domina os taquarais  maduros com seu canto. Numeroso nesta época nas matas de Castelinho em Vargem Alta-ES, Brasil/.



A Cigarra verdadeira Sporophila falcirostris, também é ameaçada, estando na categoria de Vulnerável. O motivo é o mesmo do Pixoxó, captura e destruição do habitat, mas parece ser ave mais rara que aquele. Detalhe interessante de sua anatomia é a mandíbula inferior "cortada". Nas foto a ave está se alimentando de um taquaruçu maduro. Vide as sementes com suas infrutescências.,
                                                       




A Cigarra do Bambu Haplospiza  unicolor, é bem mais encontradiço que as duas espécies anteriores. Pode ser encontrada mesmo quando os taquarais não estão frutificando. Nessa ocasião, porém, acompanhou o Pixoxó e a Cigarra verdadeira nas moitas de taquaras,:



Por enquanto é o que temos e agradecemos nossos leitores.
José Silvério Lemos.

sábado, 25 de junho de 2016

Parque Estadual da Serra do Brigadeiro.

A Serra do Brigadeiro é uma importante área natural de Minas Gerais, onde está encravado o Parque  Estadual da Serra do Brigadeiro, importantíssima área preservada com quase 15.000 hectares de extensão, contando com vários picos altíssimos,  como o Pico do Soares com 1.985 metros, o Campestre com 1.908 metros e o Grama, 1.899 m. e Boné com 1.870 metros de altitude. A paisagem do parque é constituída pela Floresta Atlântica, belíssima e com inúmeras manchas de aparência primária.,




Essa  mata, com uma face de mata primária, é habitada por muitas espécies notáveis, algumas, infelizmente algumas ameaçadas de extinção. Em postagem anterior destacamos a presença do mono carvoeiro ou muriqui, um grande bando que conseguimos fotografar perambulando pelas árvores. Desta vez não vimos os muriquis, mas ouvimos o Coró-Coxó Carpornis cucullatus e vimos, isso mesmo, um registro visual de um individuo do Pavó Pyroderus scutatus! Infelizmente não conseguimos fotografar essas duas espécies  nesse dia. Esses dois registros maiores, elevam para quatro o número de Cotingas que já registramos nesse parque. Ficamos então com:

Lipaugus lanioides - Tropeiro da Serra.
Procnias nudicollis - Araponga.
Coró-coxó -               Carpornis cucullatus
Pavó -                        Pyroderus scutatus.

A seguir, algumas aves que registramos e fotografamos nessa excursão:


Uma fêmea da Maria-Preta-de bico azulado Knipolegus cyanirostris.


O Gavião-pega-macaco, Spizaetus tyrannus.


O Beija-flor-Rubi, Clytolaema rubricauda, macho.


O Beija-Flor de fronte violeta, Thalurania glaucopis.

A Tesoura-cinzenta, Muscipipra vetula:



O Parque é riquíssimo no aspecto botânico e faunístico, mas também conta com outras importantes atrações como rios, relevo, etc.




Um abração a todas amigas e amigos que nos visitam!
José Silvério Lemos.

segunda-feira, 16 de maio de 2016

EXCURSÃO AO PICO DA BANDEIRA PELO LADO DO ESP.SANTO, BRASIL.



A SERRA DO CAPARAÓ, é uma continuação da Serra da Mantiqueira e nela encontra-se o Parque Nacional do Caparaó, um dos maiores parques nacionais da encosta atlântica, muito visitado e admirado.



Fonte:www.solbrilhando.com.br.

Suas montanhas são belíssimas, encontrando-se nessa serra alguns dos maiores picos do relevo brasileiro, como o Pico da Bandeira (2.892 m.) o Pico do Cristal (2.769 m.) e o Pico do Calçado (2.849 m.)


Imagem, fonte: Wikipédia.,



Entre os dias 3 a 06 de maio, recentemente então, estivemos, junto com minha esposa Ana Delboni, na localidade de Pedra menina, municipío de Dores do Rio Preto neste estado de Espirito Santo, Brasil.
O Pico da Bandeira é o terceiro ponto mais elevado do Brasil, situado na divisa dos Estados do Esp. Santo e Minas Gerais, alcançando 2.892 metros de altura.
Não chegamos ao topo do maciço, pois não era essa nossa intenção.! Estávamos interessados em registrar e fotografar as aves que ocorreriam em nosso trajeto, desde a portaria situada a 900m. de altitude até a localidade de Casa Queimada, a 2.200 metros de altitude, ultimo local acessível por carro.



Imagem do pico com o cruzeiro. Fonte: Wikipédia.



Imagem do Pico da Bandeira visto de MG. Fonte: Wikipédia.


A vegetação no parque apresenta variações altitudinais muito interessantes. Alguns autores, em trabalhos na região já comentaram sobre a rica flora e fauna do Caparaó. Em linhas gerais, pretendemos traçar um panorama informal e aproximado da vegetação e de suas aves comparado com as altitudes do lugar. Abaixo adicionamos esse esboço, para um conhecimento aproximado dos tipos de vegetação e de algumas espécies de aves que já vimos nesses ambientes(podem ser considerados como típicos dessas elevações e altitudes)  da subida pela encosta de Pedra Menina, pelo lado do Espirito Santo:

Compreende-se pois, a grande curiosidade sobre a natureza de uma montanha como a Serra do Caparaó! Com vários gradientes de altitude, e com muitos tipos de vegetação, podemos considerar essa serra como um enorme laboratório de vida natural. A diversidade de plantas e bichos é grande e por esta razão, exerce um fascínio incrível sobre quem a visita e sobre quem a estuda. Estudar a distribuição das aves nessas altitudes, compreender o porque algumas espécies são registradas em uma altitude e não em outra é simplesmente estimulante!

A noite do dia 3 de maio, apesar de ser apenas outono, foi muito fria! A temperatura em Pedra Menina desceu a 8 graus centigrados, o que prenunciava um manhã super fria quando sairíamos para a primeira passarinhada!  e foi o que aconteceu!

Antes, ficamos conhecendo o agradável e harmonioso distrito de Pedra Menina. Fomos até a comunidade de São José, onde fica um fazendeiro fabricante de queijos famosos e deliciosos.

O lugar é bucólico e muito tranquilo e convidativo:



Ao fundo, as montanhas da serra do Caparaó.

Preparamo-nos então, após delicioso jantar regado a um vinho tinto nacional e suave, e, também um tinto argentino seco.


O colega Evandro, exímio conhecedor de vinhos garantiu ser o seco muito melhor! Já eu preferi o nacional suave, afinal sou amador!

Por volta das 6 hs. acordamos, tomamos o delicioso café da pousada e às 7 hs. aguardávamos a abertura do parque. Após as apresentações junto aos guardas do  parque, iniciamos nossa subida e o termômetro continuando a cair:



7,20 hs. dentro do carro e 6 graus de temperatura! Lá fora seria  uns zero graus! e estávamos a pouco mais de 1.000 m. de altitude! o que seria de nós a 2000 m.?

Nossa primeira parada foi na região de matas altas, onde ouvimos mas não vimos o Coro-coxó, o Carpornis cucullatus.




O sub-bosque dessa mata é bastante denso, predominando muitas taquaras e samambaias e a famosa samambaia-Açu, mas não vimos taquarussús. Observamos que, talvez por ser mata de altitude, não é muita rica em orquídeas e bromélias.




Essa mata, está a altitudes mais baixas no contexto do parque, ficam próximas à portaria, entre as cotas de 1200 aos 1600 m., e é uma mata secundária mais alta, árvores alcançando 20 m.de altura, algumas até 30m.! Nesse lugar, registramos hoje o inhambu-Açu, Crypturellus obsoletus, infelizmente não conseguimos fotografa-lo, apenas visualização. Nesse local, anteriormente já tínhamos registrado por meio das colegas Celi Aurora e Aninha Delboni, o gavião-de-sobre-branco, Parabuteo leucorrrhous e ouvimos sempre o canto singelo do Coro-coxó, Carpornis cucullatus.

Apareceu um bando grande de tucanos, procurando os frutos das imbaúbas prateadas, Cecropia hololeuca. O Tucano de bico verde Ramphastos dicolorus, no ES, somente pode ser visto nas matas de altitude. Esse exemplar que foi clicado, muito certamente é um jovem nascido recentemente! Suposição essa devido ao tamanho menor do bico da ave!




Nesse local, fotografamos em um bando misto o Quete, Poospiza lateralis:




A choca-da-mata Thamnophilus caerulescens:



E a choquinha da serra Drymophila genei, sempre embrenhada nos emaranhados do sub-bosque, dificultando bastante nossas fotos:


Essa choquinha é tipica das serras altas do SE do Brasil, sendo que aqui no ES é encontrada também na serra de Pedra azul.

Uma ave que não é rara no parque, mas muito difícil de ser fotografada, é o tapaculo-preto, Scytalopus speluncae. Depois de várias tentativas, finalmente conseguimos fotografa-lo. Dificuldade essas devido aos hábitos da ave, muito desconfiado e extremamente escondido nas ramagens baixas, parecendo-se bastante com um ratinho preto.


Foto do macho, acima, conseguida por minha esposa Aninha Delboni.


Aqui a fêmea de Scytalopus speluncae, num raro momento de relaxamento e distração.

Outra ave bastante frequente messa mata de altitude, e com boas populações no lugar, é a belíssima saíra-lagarta, Tangara desmaresti:


É ave habitante das serras altas aqui no ES.

Outro habitante das serras, a Tesoura-cinzenta, Miscipipra vetula:



O Beija-flor-rubi, Clytolaema rubricauda foi visto nas proximidades da estrada.;



Acima dessa região de matas secundárias altas, temos uma faixa não bem delimitada, de matinhas mais baixas. Essa região se confunde com os campos de altitude que já começam a aparecer nas bordas dessas matas.


As árvores são mais baixas, parecendo-se até com o cerrado. Mas, em algumas encostas úmidas, surge a mata mesmo, mas já com aspecto menos exuberante, com altura menor, talvez devido ao solo mais pedregoso. Mas também e principalmente devido ao clima das altas altitudes. Na foto abaixo pode ser observado que a vegetação fica mais alta no fundo do vale declivoso onde corre o Rio Preto, formando nesse lugar a Cachoeira do Aurélio. Pode ser notado, também, a abundância das taquaras que foram grandes aglomerações onde algumas aves apreciam se esconder.



Nessa região, conseguimos fotografar o estalinho, Philloscartes difficilis:



Um registro difícil e precioso para o Estado do Espirito Santo devido à inacessibilidade dos locais onde vive. Também nesses locais, mas sendo ave muito mais comum, foi a borboletinha-do-mato Philloscartes ventralis. Ambas espécies do gênero Philloscartes são graciosas e possuem o hábito de manter a cauda "arrebitada"!:


Surpresa para nós foi avistarmos vários indivíduos do Sabiá-una Turdus flavipes nesse lugar:


Mas uma das aves mais bonitas desse lugar e de todo o parque é mesmo o Sanhaçu-frade, Stephanophorus diadematus:



E, uma surpresa para nós foi o avistamento de um jovem do Gavião-miúdo, Accipiter striatus, nessa região de contato mata-campo:




Atingindo os campos de altitude, há cerca de 2.000 m., a paisagem é muito deslumbrante, e também sua vegetação:








Na foto acima, a beleza incrível dos campos com abundância do bambuzinho Chusquea pinifolia, uma gramínea endêmica do Brasil e que é tipica dos campos de altitude nas serras altas do sudeste.





Nesses locais  vimos mais aves muito lindas e especiais como:

O João-Bobo, Nystalus chacuru, muito gracioso e calmo:



A choca-de-chapéu vermelho Thamnophilus ruficapillus:



E um de nossos mais importantes registros da excursão, o Papa-moscas de costas cinzentas, Polystictus superciliaris, ave considerada como "quase ameaçada" de  extinção.:


A avezinha além de muito bonita, não é mesmo comum, vimos apenas um casal em toda essa imensidão dos campos, Outra foto da ave:



Continuamos nossa subida, indo apenas até o acampamento da casa queimada, a 2.200 metros de altitude:


Nas proximidades, o Rio Preto, que nasce na base do Pico do Cristal, forma várias cachoeiras e vai descendo a serra:


Observamos que nesses locais mais úmidos, a vegetação circundante sempre adquire maior altura, e nesses arbustos e árvores, podemos encontrar aves mais restritas a habitats mais florestais. E nesse local, registramos o Tucão, Elaenia obscura.:



O Parque Nacional do Caparaó, é região riquíssima em vida e precisamos muito protege-lo para que essas joias da natureza sejam preservadas para sempre!

E muito grato a todas pessoas que nos visitam!

José Silvério Lemos.